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A Nave Cassini se prepara para dizer adeus a Titan

sexta-feira, 18 de agosto de 2017.
A Nave Cassini, Titan e Saturno.
Apenas a algumas semanas do dramático fim de sua missão, mergulhando nas nuvens de Saturno, a nave Cassini terá uma agenda agitada, orbitando o planeta uma vez por semana. Mais algumas órbitas e o maior satélite de Saturno, Titan, estará próximo o suficiente da Cassini para, com a sua gravidade, alterar a sua trajetória, visando as últimas passagens sobre o planeta dos anéis, levando-a às franjas interiores dos mesmos.

Em 11 de setembro próximo, uma nova aproximação de Titan, levará a Cassini ao seu mergulho fatal em Saturno. Até os seus últimos instantes e antes de perder o contato para sempre, a Cassini enviará à Terra preciosos dados científicos.

Mas o auxílio gravitacional de Titan, para ajudar nas alterações das trajetórias da Cassini, não é nenhuma novidade, pois ele foi utilizado por diversas vezes durante a missão, tornando-se na prática o verdadeiro “motor” da missão.

Sobrevoos constantes sobre Titan já eram previstos desde o início da missão, para ajudar a Cassini a explorar os mistérios do sistema de Saturno. Além do que os cientistas estavam ansiosos com um retorno a Titan, desde que a Voyager ali passou em 1980, sendo incapaz de penetrar em suas densas nuvens com os seus instrumentos científicos.

Titan é um pouco maior do que Mercúrio, e dado ao seu tamanho possui uma força gravitacional significante, daí a razão de usá-la nas alterações de trajetória da Cassini. Para se ter uma idéia, um simples sobrevoo sobre Titan, provê mais velocidade à nave do que 90 minutos de combustão contínua de seu motor, na potência necessária à inserção na órbita de Saturno.

Os projetistas da missão, usaram Titan como se fosse um pino na ponta de um eixo. As passagens frequentes sobre este satélite, equivaleram à grandes quantidades de combustível, que seriam necessárias para realizar as mesmas manobras. Usando Titan, a órbita da Cassini pôde ser alongada, para que ela fosse capaz de se aproximar de Japetus, uma distante lua de Saturno. Usando esta técnica, os cientistas da missão usaram Titan por diversas vezes, levando a nave a se posicionar desde o plano dos anéis, até observar Saturno do alto, a 90º dos mesmos, observando tanto o hemisfério sul como o norte do planeta, bem como as suas muitas luas.

Ao longo dos 13 anos da missão em Saturno, a Cassini fez 127 sobrevoos próximos de Titan, lançando a nave Huygens, da Agência Espacial Européia, em sua direção, onde pousou suavemente em Janeiro de 2005, enviando as primeiras informações sobre os mistérios que ali se escondiam.

Os sucessos da Cassini/Huygens, incluem a revelação de que, como havia sido previsto em teoria, existem grandes massas abertas de hidrocarbonetos em forma líquida na superfície de Titan. Surpreendentemente os instrumentos revelaram que os “lagos” e “mares” de Titan estão confinados às suas regiões polares, com a sua maior quantidade observada no hemisfério norte desta lua. A maior parte de Titan não possui lagos, exibindo vastas faixas lineares de “dunas” próximas ao equador, semelhante às que existem em locais como a Namíbia, na Terra. A nave observou também, gigantescas nuvens de hidrocarbonetos sobre os pólos de Titan, derramando uma “chuva” de metano, que escurecia a superfície. E o mais supreendente, é que há também indicações da existência de um oceano de água subterrâneo, por debaixo da sua superfície gelada.

Inicialmente, os dados que a Cassini obteve de Titan eram pouco detalhados, mas a cada sobrevoo, eles foram sendo refinados. Ao longo de toda a missão, o radar da nave mapeou 67% da superfície de Titan. Assim, as imagens obtidas com as câmeras, com o espectrômetro infravermelho, e o radar, devagar e metodicamente foram acrescentando detalhes, construindo uma imagem mais completa e detalhada de Titan.

Os cientistas agora possuem dados suficientes, para entender a distribuição das montanhas, dunas e mares na superfície de Titan, o comportamento de sua atmosfera ao longo do tempo, estando aptos para buscar a resposta do porquê os líquidos da superfície migraram para os pólos.

Dentre as coisas que permanecem sem entendimento, encontra-se a forma como o metano da atmosfera é nela reposto, uma vez que ele é decomposto ao longo do tempo, pela luz do Sol. Os cientistas observaram algumas evidências de vulcanismo, com metano na forma líquida servindo como “lava”.

As observações de longo período da Cassini, constataram e existência de nuvens de “chuva” de verão sobre os pólos de Titan.

A Cassini realizou seu último sobrevoo sobre Titan em 22 de abril passado. Isto deu a ela a condição orbital necessária para começar a série final de trajetórias, passando no espaço existente entre Saturno e seu anéis.

A missão Cassini-Huygens é o resultado de uma cooperação entre a NASA, a ESA (Agência Espacial Européia) e a Agência Espacial Italiana. A direção e a operação da missão são feitos pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena, para a Diretoria de Missões Científicas da NASA, com sede em Washington. Foi o JPL que projetou, desenvolveu e construiu a nave Cassini.

Fonte: NASA

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